Guia médico

Câncer de pele: o que é, sintomas, tipos e tratamento

Por Dra. Lívia Ariano · Dermatologista · CRM 62749/MG · RQE 32471 Atualizado em setembro de 2026

O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no Brasil — corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país, segundo o INCA. A boa notícia é que a maioria dos casos é diagnosticada em fase inicial e tem altíssima chance de cura quando tratada precocemente.

Este guia reúne o essencial: o que é a doença, quais são os tipos, os sinais de alerta e como funciona o diagnóstico e tratamento na prática clínica.

O que é câncer de pele

Câncer de pele é o crescimento desordenado das células da pele. Ele começa quando essas células sofrem mutações — geralmente causadas pela exposição solar acumulada ao longo da vida — e passam a se multiplicar sem controle.

Existem dois grandes grupos:

Tipos de câncer de pele

Carcinoma basocelular (CBC)

É o tipo mais comum de câncer de pele. Aparece geralmente em áreas cronicamente expostas ao sol — rosto, orelhas, pescoço e couro cabeludo. É de crescimento lento e raramente causa metástase, mas pode ser bastante destrutivo localmente se não tratado.

Como reconhecer: lesão perolada, brilhante, com pequenos vasinhos aparentes, que às vezes forma ferida que não cicatriza.

Carcinoma espinocelular (CEC)

É o segundo tipo mais comum. Também está ligado à exposição solar acumulada, mas é mais agressivo que o basocelular e tem potencial de metástase (embora ainda baixo em lesões iniciais).

Como reconhecer: lesão avermelhada, áspera, descamativa, muitas vezes com crosta ou ferida que sangra ao mínimo toque.

Melanoma

É o câncer de pele mais grave. Pode surgir em uma pinta existente ou em pele sã. O diagnóstico precoce é decisivo — melanomas superficiais têm cura próxima de 100%, enquanto os profundos podem ser fatais.

Como reconhecer: use a regra ABCDE (Assimetria, Bordas irregulares, Cor variada, Diâmetro > 6mm, Evolução).

Ver o autoexame ABCDE completo →

Procure atendimento com urgência se:

  • Você tem uma ferida na pele que não cicatriza em 4 semanas.
  • Uma pinta mudou de cor, forma, tamanho ou começou a coçar/sangrar.
  • Surgiu uma lesão nova depois dos 30 anos, especialmente escura, irregular, ou de crescimento rápido.
  • Você tem histórico familiar de melanoma e apareceu qualquer alteração cutânea preocupante.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pelo exame clínico — a médica examina toda a pele à procura de lesões suspeitas. Quando uma lesão desperta atenção, o próximo passo é a dermatoscopia: um aparelho óptico com magnificação (10x) que permite avaliar padrões invisíveis a olho nu.

Na prática:

  1. Consulta inicial e mapeamento de pintas — avaliação completa da pele com dermatoscópio digital, com registro fotográfico das lesões importantes.
  2. Dermatoscopia digital — análise detalhada das lesões suspeitas. Como funciona →
  3. Biópsia — quando há dúvida ou suspeita clara de malignidade, retiro um fragmento (ou a lesão inteira) para análise laboratorial. Sobre a biópsia →
  4. Cirurgia oncológica — se a biópsia confirmar câncer, planejamos a retirada com margem oncológica e reconstrução estética. Cirurgia →

Tratamento

O tratamento depende do tipo, tamanho, localização da lesão e das características do paciente. As opções mais comuns são:

A melhor cirurgia é aquela que trata o câncer completamente e devolve o resultado estético mais próximo possível do natural. Isso exige planejamento cirúrgico e técnica de reconstrução.

Prevenção

Câncer de pele tem prevenção real e mensurável. As três medidas mais eficazes são:

  1. Fotoproteção diária — protetor solar FPS 30+, roupa com proteção UV, chapéu de aba larga, óculos escuros. Reaplicar a cada 2 horas em exposição intensa.
  2. Evitar o sol entre 10h e 16h — janela de maior intensidade UV.
  3. Consulta dermatológica anual — mesmo sem lesão visível. Autoexame mensal.

Ver todos os fatores de risco →

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Uma consulta anual pode fazer a diferença entre um diagnóstico precoce e um caso avançado. Vamos cuidar disso.